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quinta-feira, março 18, 2004

EU NAO RESISTI

Nao costumo fazer isso, mas excepcionalmente vou transcrever aqui na integra, uma noticia do Jornal de Noticias de hoje, 18 de Março. Depois dos execraveis atentados em Madrid, torco para que o factor que mais me orgulha na sociedade moderna, a mundializacao cultural e a mistura de racas, nao se torne na principal causa de discordia entre os povos. Pronto, agora daqui para frente ja e para rir. Repito, o texto a seguir nao e de minha autoria e, pasmem, e absolutamente verdadeiro.

Árabe "aflito" gera pânico na CGD


Não fossem os recentes atentados de Madrid e o protagonista da história ser islamita e o mais certo era nada ter acontecido. Mas aconteceu. Muhamad Khali (Eugénio de Lemos, antes de se converter ao Islão), 49 anos, era ontem mais um cliente na dependência do Calhariz, em Lisboa, da Caixa Geral de Depósitos (CGD). Chegou à CGD às 12.15 horas, com o típico cafié (chapéu) na cabeça e os ditos sacos, onde se viam livros e uma revista mensal da Mesquita de Lisboa, intitulada "Al Furqan", que viria a ser confundida com o Corão. Pretendia apenas um adiantamento da reforma.

Por motivos inadiáveis, ausentou-se por minutos da instituição. Tinha que ir à casa de banho, e deixou no banco os seis sacos que trazia. Tudo com o consentimento de uma funcionária, que entretanto saiu para almoçar. Quando regressou, o homem descobriu que se tinha tornado numa "ameaça terrorista".

Quinze minutos depois de se ter ausentado, um imenso aparato policial rondava a CGD. "Nem queria acreditar", contou à agência Lusa Khali. "Eram mais de 50 polícias armados que estavam à minha espera", frisou. Evacuado o edifício, foi chamada a Polícia Judiciária (PJ) e a Brigada de Inactivação de Engenhos Explosivos e Segurança em Subsolo. Os sacos foram abertos e inspeccionados. Muhamad Khalid contou a sua versão da história à PSP, mas foi obrigado a aguardar pela chegada da PJ. Já no local, os agentes da Judiciária solicitaram-lhe a identificação. Como estava "muito nervoso", não conseguia encontrar o bilhete de identidade e sugeriu que os agentes falassem com as suas advogadas, para que estas atestassem o que dizia, o que foi recusado.

A aventura de Muhamad Khalid terminou nas instalações da Polícia Judiciária, onde foi fotografado "de frente e perfil", com e sem cafié. Meia hora depois, foi libertado.